Empreendedorismo e franchising na contramão da crise

Na contramão das notícias negativas, das metas não atingidas e da maioria dos indicadores da economia brasileira, o empreendedorismo no país está em expansão. Os brasileiros abriram 28% mais negócios em 2014, comparativamente a 2013, e destacam-se com oito pontos percentuais à frente de potências como Estados Unidos (20%), Reino Unido (17%), Japão (10,5%) e França (8,1%), segundo a pesquisa global Entrepreneurship Monitor (GEM), cuja etapa Brasil é feita pelo Sebrae.

Na prática, o brasileiro é e sempre foi o que chamo de empreendedor nato. O sonho de ser patrão é o terceiro mais citado pela população, atrás apenas de comprar a casa própria e viajar pelo país.

Isso fica ainda mais claro quando se veem os dados do franchising. Segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), atualmente operam no Brasil 2.942 redes franqueadoras e 125.641 unidades franqueadas, gerando 1.096.859 empregos diretos e faturamento anual de R$ 127 bilhões. Tais cifras colocam o Brasil como quarto maior franqueador do mundo e o sexto maior em número de unidades franqueadas, com presença em 2.108 cidades (37,8% do total de municípios brasileiros).

As incertezas recentes da economia não foram suficientes para barrar o virtuoso crescimento do setor: 7,7% no ano passado e 10,1% de janeiro a setembro de 2015.

Por que tamanho interesse dos empreendedores por esse modelo? Uma das explicações é a baixa taxa de mortalidade (fechamento de unidades franqueadas): no ano passado foi de 3,7%, muito inferior à do varejo tradicional – 25% nos dois primeiros dois anos, de acordo com a Receita Federal.

As boas redes franqueadoras oferecem grandes diferenciais aos seus franqueados, normalmente ausentes na maioria das iniciativas empreendedoras individuais: marca conhecida e consagrada, grande know-how no segmento de atuação, portfólio adequado de produtos, política de precificação, sistemas, capacitação técnica e de gestão, planejamento de longo prazo, acompanhamento dos indicadores de performance, plano de expansão e comunicação coletiva, dentre outros.

Riscos existem, é claro. Mas empreender com planejamento, racionalidade e com o parceiro certo ajuda a reduzi-los. Os resultados podem surpreender positivamente, mesmo em momento de economia travada.