Vale a pena apostar em franquias de baixo investimento?

Se há um legado que 2015 deixará para o setor de franquias, certamente será o boom de modelos de negócios com baixo investimento inicial. Isto vale tanto para novas marcas ou redes antigas que querem conquistar novos investidores e mercados com potencial quanto para as cidades do interior, com economia ascendente e condições mais atraentes de custos de ocupação.

Já na edição de 2014 da ABF Franchising Expo, a maior feira de franquias do mundo, que acontece em São Paulo anualmente, 40% dos visitantes dispunham de menos de R$ 100 mil para investir, de acordo com a organização. Na última edição, este número foi ainda maior.

Tendência mundial

Vários países da África utilizam esse tipo de negócio há muito tempo para ocupar áreas em que o próprio governo deveria criar estrutura. Além disso, durante a última Convenção da International Franchise Association (IFA), em Las Vegas, realizada em fevereiro deste ano, foi apresentada uma pesquisa sobre os segmentos que mais devem ganhar campo nos próximos 50 anos, nos Estados Unidos. As franquias de baixo investimento serão um forte motor para esse crescimento tanto lá quanto aqui, no Brasil. Veja alguns exemplos:

 

Segmento

Demanda

Oportunidade

Idosos Com o aumento na expectativa de vida para 75 anos, segundo o IBGE, o idoso se torna um consumidor em potencial. Home care para os que precisam de cuidados e serviços especializados para o independente, que viaja e vai às compras sozinho.
Educação Procura por qualificação para o mercado de trabalho. Cursos de idiomas e, principalmente, ensino profissionalizante ganham espaço.
Alimentação orgânica Consumidor mais preocupado com saúde já mostrou disposição para investir em alimentação saudável. Não há espaço e estrutura para grandes fábricas no Brasil, como a Whole Foods. Pequenos se destacam.
Serviços domésticos Consumidor passa mais horas fora de casa e precisa de alternativas para lidar com os serviços domésticos.

 

Chefs de cozinha freelancer para jantares ou motoristas que substituam as “mãetoristas”, que não têm tempo de levar a criança para escola, natação, inglês, balé etc.
Bem-estar A mulher no mercado de trabalho tem impulsionado esse segmento, que deve passar a oferecer mais praticidade. Grandes centros demandam academias de yoga, aluguel de bicicletas e cuidados com a beleza. Serviços de manicure que vão até locais de trabalho também podem ser uma boa aposta.

 

Lucro X Faturamento

Muitas microfranquias não exigem nem mesmo um ponto comercial, podendo ser tocadas da casa do próprio franqueado, o que aumenta o lucro no fim das contas. O contrato com validade menor de quiosques e de lojas temporárias também favorece.

É importante ter em mente que o faturamento de um negócio não é o lucro do empresário. Tirando os custos – e ocupação é um dos maiores –, o que sobra no fim da planilha é o que deve ser analisado para decidir se vale a pena ou não.

Lojas menores e quiosques ainda têm como vantagem sobre as tradicionais a maturação do negócio. A oferta de serviços e compra por impulso tornam essa etapa mais rápida.

Como todo negócio, é preciso analisar criteriosamente antes de investir. O ideal é que o franqueador já tenha testado o modelo para se certificar de que funciona tão bem quanto o convencional.

Como fazer?

A minha dica é que o empreendedor busque orientação na Associação Brasileira de Franchising (ABF). O site da entidade apresenta diversos modelos de negócios filtrados por segmento ou investimento.

Além disso, vale a pena dar uma olhada no aplicativo Quero uma Franquia, gratuito para Android e iOS. É uma aula completa sobre como gerir o próprio negócio, desde o início.

Se não encontrar uma franquia que te atraia, olhe ao seu redor. O mercado ainda tem muito espaço para empreender. A revolução está sendo liderada pelo consumidor: ideias e mercados a serem explorados não faltam.